Presidente do Yahoo! quer provar que companhia vale mais do que US$ 47,5 bilhões

Depois da decisão da Microsoft de desistir da oferta de compra do Yahoo!, o presidente da gigante da internet Jerry Yang parece querer provar que a companhia vale mais do que os US$ 47,5 bilhões oferecidos pela fabricante de software.

Em reunião ocorrida no último sábado (3), o Yahoo! concordou em reduzir o preço pedido pela empresa para US$ 53 bilhões (US$ 37 por ação). Contudo, o executivo-chefe da Microsoft, Steve Ballmer, já havia ressaltado que a sua empresa estava disposta a pagar o máximo de US$ 47,5 bilhões (US$ 33 por ação).

Para analistas, somente nesta segunda-feira o mercado vai mostrar os resultados do acordo frustrado. Durante as negociações, o Yahoo! viu seu valor de mercado crescer quase 50% desde a primeira oferta da Microsoft.

"Claramente fica a frustração", disse Darren Chervitz, co-administrador do Jacob Internet Fund, que possuiu ações do Yahoo!. "Eu não tenho mais certeza se o Yahoo! se importa com seus acionistas porque eles não demonstraram muita consideração pelos interesses dos investidores no processo."

Risco

Segundo análise da Associated Press, a medida antecipada pode colocar Yang em uma posição de risco, ao mesmo tempo em que ele executava um plano de crescimento para a empresa desde que assumiu a diretoria-executiva, há um ano.

Para o analista da Standard & Poor's Scott Kessler, "a medida pressiona Yang a mostrar resultados e crescimento de mercado". "Veremos muitos acionistas pedindo que ele jogue a toalha principalmente quando entenderem que levará um bom tempo para os papéis voltarem ao preço em que estavam na sexta", disse.

Kessler disse acreditar que Yang poderia utilizar uma parte de sua fortuna estimada em US$ 1,9 bilhão para comprar as ações da empresa e empurrar o preço novamente para cima, mesmo que ele já possua em torno de 3,9% de participação na empresa.

"Se [Jerry Yang] acredita que o Yahoo! custa mais do que os US$ 37 por ação, então ele deveria se mexer e comprar as ações quando elas estiverem abaixo de US$ 20."

Retração

Analistas acreditam que o preço de mercado do Yahoo! pode perder a maior parte --senão todo-- do ganho acumulado durante a negociação com a Microsoft. Com isso, a empresa poderia reduzir seu valor de mercado para cerca de US$ 30 bilhões.

Mesmo com a preocupação do mercado, as ações do Yahoo! ainda podem se manter por algum tempo com preço em torno de US$ 19 --o médio antes da oferta--, principalmente por causa de uma esperança entre os investidores de que a fabricante de software realize uma nova proposta.

Por outro lado, alguns especialistas afirmam que, com decisão da Microsoft, o valor das ações do Yahoo! poderia cair de maneira considerável, abrindo espaço para uma nova oferta hostil, mais difícil de rejeitar.

Em um comunicado publicado no sábado, Roy Bostock, presidente do Conselho de Administração do Yahoo!, reiterou que a Microsoft estava subestimando o valor de sua companhia desde que fez a oferta não solicitada. "Nós permanecemos focados em maximizar os ganhos dos acionistas e procurar oportunidades estratégicas que posicionem o Yahoo! para o sucesso e a liderança em seus mercados", disse.

Concorrência

Na tentativa de mostrar a seus acionistas que ainda pode ser uma empresa lucrativa, mesmo que se mantenha independente, o Yahoo ainda conta com duas alternativas.

A companhia colocou sobre a mesa suas duas melhores cartas ao arquitetar acordos com o Google --que poderiam ser questionados por órgãos reguladores de comércio-- e também tentar uma fusão com a AOL, do grupo Time Warner.

A retirada de oferta, entretanto, não tira a Microsoft do processo. A companhia poderia tentar novamente um acordo ainda este ano, caso a empresa de internet não consiga se recuperar dos efeitos de dois anos de estagnação financeira.

Por enquanto, a Microsoft tenta mostrar que tem potencial interno suficiente para ganhar força no mercado de internet e concorrer com o Google. "Enquanto o Yahoo! poderia ter acelerado nossa estratégia, eu estou confiante de que podemos ir em frente em nossos objetivos", afirma Ballmer.

0 comentários: